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Elogio ao tédio

Joseph Brodsky, poeta russo prêmio Nobel de literatura, é o autor de um dos textos mais interessantes que li recentemente. Na verdade é um discurso que ele fez para os formandos da universidade Dartmouth College, em New Hampshire. Ele fala sobre algo que nenhum curso superior ensina, que é como lidar com o tédio e a monotonia que a vida adulta guarda para quase todos nós. Como o texto original é em inglês, vou tentar resumir por que achei interessante.

Sendo o tédio um subproduto da repetição, seu remédio mais óbvio é ter uma vida de constantes mudanças, uma vida que seja criativa e original. É o que a maioria de nós esperamos dela. Só que ela simplesmente não é assim, seja para os ricos ou para os podres. O autor diz que o motivo que um mendigo fuma crack não é tão diferente do motivo que alugamos um filmes. E tendo uma vida de constantes mudanças, chegará um tempo que elas serão apenas o mesmo tédio com uma roupa diferente.

É quase certo que em algum momento de nossas vidas ficaremos entediados com nosso trabalho, amigos, esposa, namorada, família, com nossa casa, com nossos pensamentos e por aí vai. O que fazemos é espernear e inventar mil maneiras de escapar desses problemas. Seja comprando um celular, mudando de emprego, de casa, de mulher, de país entre outras coisas como encher a cara, viajar, usar drogas, fazer psicanálise, entre as infinitas opções da vida moderna.

Porém nada disso irá resolver o problema do tédio e da monotonia. O motivo é que podemos fugir das coisas que nos desagradam, mas não podemos fugir de nossas mentes. Não que exista algo de errado em realizar mudanças para ser mais feliz. Muitas vezes o que nos falta é coragem para fazer o necessário e óbvio. Mas o texto quer apontar para algo que vai além disso.

O que ele diz pode parecer pouco interessante e sexy, mas é bem original. Quando o tédio bater forte, simplesmente não devemos fazer nada. Precisamos sentí-lo. Deixar ele ganhar espaço e sermos esmagados, trucidados pelo tédio. É percebendo no tédio o tempo de nossas vidas em seu esplendor mais puro da redundância que podemos ver algo de diferente: a imensidão de nossa insignificância no mundo.

Triste demais? Pelo contrário. Essa consciência automaticamente nos coloca em uma outra perspectiva perante a vida. Você não ficará mais tão chateado quando algo não sair como você planejou. Ficaremos mais humildes, pacientes e compassivos com as nossas atitudes e as dos outros.Iremos parar de viver os dias, as semanas e os anos automaticamente. Aproveitaremos melhor tudo, o trabalho, o chefe, os amigos, a namorada, os filhos, o celular, os bares, o futebol. Além das coisas ruins não terem o peso que costumam ter. Quanto mais penso nessa idéia, mais ela faz sentido e me faz ficar feliz. Com o tédio ou sem ele.

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Casar com um boçal

Ashton Kutcher, o bobão bonitão do seriado That 70’s Show e de Punk’d, da MTV – ou, como aparece no Twitter, @aplusktuitou uma foto da Demi Moore de calcinha, meio agachada, e escreveu: “shhh, don’t tell wifey”.

Aparentemente, “wifey” ainda não descobriu que o camel toe dela tá rolando na internet, porque a foto não foi retirada, nem a tuitada do rapaz. Da última vez que olhei o contador do TwiPic, site de imagens do Twitter, 99.840 já tinham visto a imagem.

wifey

Kutcher says: LOL

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A GUERRA E A FILHA DO ALEMÃO

Este é meu post de despedida e eu vou contar resumidamente como tudo começou. Não remontando ao Big Bang ou ao momento em que over-celebrei o convite do Cardoso, no ano passado, pra escrever com ele, Mojo, Parada, Arnaldo e Träsel sobre rango, birita, gadgets e o que mais quisesse. Um relato sobre algo no meio do caminho, entre uma coisa e outra. Uma padaria de esquina na ilhota do Governador, terra do Aeroporto Internacional Tom Jobim e… pretty much mais nada além disso, antes de o tráfico de drogas e as brigas por posse de território entre quadrilhas chegassem a dominá-la por completo – no final dos anos 70 ainda um paraíso cheio de ruas seguras pras crianças brincarem de queimado, vôlei e atirar bolas e outros objetos sobre carros que passavam. Atirar objetos de uma janela na casa de vizinhos também era uma brincadeira muito comum na minha época de moleque, porque não fui uma guria, fui orgulhosamente um garoto junto com os garotos e ficava aporrinhada quando só tinha guria pra brincar, que não viam graça em atirar objetos aleatoriamente em veículos em movimento ou quintais e telhados dos outros. Atirar uma Barbie, então, nem pensar. Nem uma Barbie muito velha. E uma boneca da coleção Moranguinho? Não.

Esse foi o clima na parte que me cabia da Ilha do Governador, até meados dos anos 80. Antes mesmo das táticas de guerra com os meninos, com quem eu brincava não de médico mas de QUARTEL, fazendo guris rastejarem em quintais de terra e no meio do mato, no terreno de casas em construção, com metralhadoras imaginárias ou pedaços de pau, escalarem uma corda pendurada no galho mais alto de uma das mangueiras mais altas que já na minha vida, a título de treinamento, e bater continência pra mim, antes mesmo das guerrilhas do tráfico, a minha própria casa não era o lugar mais pacífico do mundo e, muitas vezes quando os inimigos entravam em batalha, eu tinha uma espécie de salvador que me tirava da trincheira e carregava no colo pra rua. Alemão, como era conhecido esse irmão da minha mãe, era o mais alto, o mais branquelo e o único loiro de olhos azuis do lado dela da família. Nunca entraram a fundo nessa questão, ele e os outros irmãos, de cabelos e olhos castanhos ou pretos. Não que eu saiba. O limite era a piada do filho do leiteiro e olhe lá. Como eu também parecia filha do leiteiro, loira de olhos azuis, era comum que achassem, aonde meu tio me levasse, que ele era meu pai, uma coisa que nem eu nem ele tivemos vontade de desmentir em qualquer ocasião quando me resgatava e levava pra tomar sorvete.

Nunca vi um leiteiro loiro de olhos azuis. Não no subúrbio, nem fora dele. Leiteiro é coisa do tempo do meu tio.

O que adultos fazem quando não sabem o que fazer com uma criança é dar comida, de preferência alguma coisa super calórica e doce que lhe apazigue as sirenes da garganta. A sorveteria não era o único pit stop nessas andanças, era só o primeiro e mais rápido. Assim que eu escolhia o sabor e começava a decantar sorvete, bolinhas de confette e pedaços de chocolate com a língua, o Alemão já me carregava no colo para o destino final dessas jornadas de fuga: o bar perto da sorveteria. Quando meu sorvete acabava, já estavamos sentados e meu tio tinha em frente um copo e uma garrafa de cerveja. “Quer um refrigerante?” Não tinha mais muita coisa que ele pudesse conversar comigo, 6 anos, num boteco. Meu tio era um santo. Podia estar lá, tomando sozinho a cerveja dele, lendo o jornal ou vendo o futebol na televisão da birosca, mas me levava junto. Eu imaginava, àquela altura, que era uma coisa importante pra um homem fazer, ir ao bar sozinho e conversar com outros homens como ele e jogar purrinha. Porque era o que os homens faziam. Meu tio era um abnegado. Eu achava que devia ser uma melhor companheira pra ele do que alguém que só senta e toma seu sorvete e depois fica muda ou falando besteira sobre o colégio. Um dia decidi acompanhá-lo mesmo e experimentei a espuma branca que transbordava da tulipa do meu tio. Gelado. O sorvete dele. Claramente coisa pra homem, porque se por acaso sorvia algo mais além da espuma, a parte  gelada e amarela que preenchia o copo era amarga. O cheiro tava longe de ser o de uma boneca da coleção Moranguinho.

Meu tio me observou, sem reclamar, beber a espuma da cerveja dele. Depois disso todas as vezes em que fugíamos de casa ele passou a me conceder alguma “puminha”. Éramos os felizardos, longe do campo de batalha, tomando a nossa e relaxando um pouco na base antes de voltarmos para ver o que as bombas haviam feito com Berlim. Eu não chegava a beber um copo inteiro, meu tio não permitiria, mas de espuminha em espuminha ficava alegre. Ele mantinha rígido controle sobre o quanto eu bebia de espuminha porque eu já tinha um histórico. Aos 2 anos tinha bebido, apesar do cheiro e do sabor (ora, tem criança que come merda) uma dose de uísque que deixaram prontinha num copo sobre a mesa de centro da sala durante uma festa de médicos. Primeiro fiquei alegre e pulei muito e fiz várias gracinhas pros amigos do meu pai. Quando comecei a falar enrolado, devem ter cheirado minha boca e diagnosticado bebice. É o que me contam do episódio, que terminou com meu pai e minha mãe dirigindo o Corcel verde escuro pela Ilha e falando muito pra me impedir de dormir e, sei lá, entrar em coma alcóolica. Não sei o que passava pela cabeça deles, acho que era pavor. Se eu bebi é porque sabia que aguentava. Alemão, mesmo sabendo que eu aguentava, regulava a espuminha com mão-de-ferro. “Não, agora chega”.

Quando voltávamos do bar pra rua Etna, nome de vulcão, eu acabava apagando no sofá e o Alemão começava seu árduo trabalho de reconstruir a moral dos soldados cansados dos dois lados da guerra o melhor que podia. Depois aos 11 anos me tornei sargento no quartel imaginário da Etna e os garotos batiam continência pra mim.

http://www.escrevescreve.blogger.com.br

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Solo de bobina de Tesla

Eu nunca tinha visto uma banda de rock usar descargas elétricas como instrumento musical. Mais especificamente uma bobina de Tesla como instrumento musical. É um negócio de respeitar. Uma prévia:

ArcAttack! é a banda responsável pela idéia sensacional.

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Magal das neves

Meus cartunistas preferidos atendem pelo pseudônimo de Wulffmorgenthaler, usado pelos dinamarqueses Mikael Wulff e Anders Morgenthaler. Eles começaram distribuindo seu trabalho via Internet e hoje fazem um enorme sucesso mundo afora. A temática da tirinha diária gira em torno de animais, incorreção política e piadas de cunho sexual e desvios de comportamento em geral.

Tira de Wulff Morgenthaler

Acima, um esquimó diz para o outro: “Acho legal você ter dado um trato no seu cachorro com faróis de milha e aerofólio, mas talvez você não devesse tê-lo rebaixado…”

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Homens mais mulherzinhas com a crise

Mais uma pesquisa mostra que sexo frágil, mesmo, é o homem. A Universidade de Cambridge aproveitou a atual crise na economia mundial pra saber quais dos sexos ficam mais abalados com a insegurança em seus empregos.

A descoberta foi que os homens ficam mais deprimidos e estressados do que as mulheres que se encontram na mesma situação profissional. O motivo é que os homens sentem sua masculinidade ameaçada diante da possibilidade da perda desemprego.

Faz sentido, sendo que nada abala tanto a auto-estima masculina do que seu sucesso no trabalho. Que muitos de nós acha que pode compensar em outros departamentos da vida. Ouçamos as mulheres e sejamos mais homens.

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Comida no quintal

O Urbanchickens.net é um dos braços na web de um revival que o site novaiorquino Serious Eats aponta como conseqüência da atual economia caquerada beyond repair. Tem de tudo: desde tiozinho no Bronx até classe média em New Raven criando galinha pra vender ovos e carne. Além de manterem hortas em casa também, uma tendência que já retomou força na década de 90.

A National Geographic, que cantou a bola antes do Serious Eats, lembra que, ainda no século 19, porcos e gado andavam soltos nos parques de Manhattan – e que as galinhas tornaram-se a versão atual daquele estilo de vida. Segundo a revista, cidadãos por toda a América do Norte estão enchendo seus quintais de galinhas, armazenando ovos frescos, fertilizante e estabelecendo laços comunitários econômicos a partir disso.

Se a industrialização e outros fatores da mudernidade fizeram com que as galinhas desaparecessem da cena urbana, especialmente a novaiorquina (há controvérsias), a recessão as traz de volta sem o ranço família-buscapé da coisa – tá mais pra um movimento neo-hippie de gente que não manda os filhos pro colégio caro nem pro barato, prefere educá-los em casa, como a turma que posta e comenta no site Urbanchickens.net.

A economia flopou, mas caras como o fazendeiro urbano AbuTalib, da Taqwa Community Farm, do Bronx, filosofa: “Aquele que controla sua cesta de pão controla o próprio destino”.

Os criadores de galinhas em grandes cidades norte-americanas, além de educarem seus filhos em casa e, literalmente, controlar de perto o que comem, discutem bastante o assunto na web. Eles têm um grupo no Facebook, um Twitter, canal de notícias para adicionar ao seu feeder e um site próprio, onde trocam idéias sobre jeitos diferentes de tratar os galináceos. O comentário online que melhor resume esse estilo de vida? Dos que li até agora, “We’re keeping chickens as pets for the eggs and the poop and the entertainment and the education.”

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Do Farside Reenactments: http://www.flickr.com/groups/farside/

O que eles estão dizendo, no entanto, parece ter qualquer coisa a ver com este artigo do Douglas Rushkoff publicado há alguns dias na Arthur Mag- Homegrown Counterculture: em “Let it Die”, Rushkoff vaticina que, com alguma sorte, a economia jamais irá se recuperar. “

Cocoricó.

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Fui!

Para quem vai ficar com saudades das fotos de sanduíches, aqui vai uma do pão francês com mortadela Ceratti servido na padaria Bella Paulista, na Haddock Lobo, em São Paulo:

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Vou sentir falta de dividir esse espaço com escritores e cartunista que admiro e também dos comentários espirituosos dos leitores. A partir de agora, vocês me encontram aqui. Até mais ver!

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Um dia na vida da Abbey Road

Quase 30 anos após o lançamento do disco Abbey Road dos Beatles, a rua de Londres onde os quatro fotografaram para a capa continua não tendo sussego. O clipe da banda Blame Ringo mostra como é um dia na vida da pobre Abbey Road.

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